terça-feira, 17 de novembro de 2009


III ANIMANDO O MUSEU DO BRINQUEDO
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O jornalista escolar Leorry Reportter participou das celebrações dos 10 anos do Museu do Brinquedo da Ilha de Santa Catarina, dia 16 de novembro de 2009, com a presença de estudantes do Curso de Pedagogia do CED/UFSC, do PPGE/UFSC, crianças do NDI/UFSC e, claro, com a presença bruxólica do Mestre Franklin Cascaes. Quem não esteve lá pode conferir as fotos clicando em
http://www.channel4kidsnews.blogspot.com/

Foto: Leorry Reportter com Peninha e Profa. Telma Piacentini, criadores do Museu do Brinquedo

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Convite: Seminário

O Grupo de Pesquisa em Filosofia
da Educação e Arte
GRAFIA
convida para o
Seminário*:


O CONCEITO DE FORMAÇÃO HUMANA
EM KANT, NIETZSCHE E ADORNO

LOCAL: sala 618 (CED)
DATA: 01/12/2009
HORÁRIO: 17h


*Apresentação dos estudos realizados pelos mestrandos da disciplina Seminário de Dissertação I, da linha Filosofia da Educação durante o semestre 2009.02

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Museu do Brinquedo celebra 10 anos


III ANIMANDO O MUSEU DO BRINQUEDO
- O INVISÍVEL ACONTECE -
16 DE NOVEMBRO DE 2009
Auditório do CED/UFSC
14 às 18 horas
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O Museu do Brinquedo da Ilha de Santa Catarina
celebra seus 10 anos
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O Museu do Brinquedo da Ilha de Santa Catarina foi idealizado pela Profa. Dra. Telma Anita Piacentini, em setembro de 1999, como um Projeto de Extensão Universitária. “O principal mobilizador da criação do Museu do Brinquedo foi o Franklin Cascaes, com a sua coleção de brincadeiras infantis”. Atualmente, abriga um acervo constituído por 144 peças oriundas das mais diversas regiões (Itália, México, China, Canadá, Nova York, Peru, Indonésia, França, Guatemala, Bolívia, Porto Rico, Nicarágua e Brasil): brinquedos de madeira, cerâmica, porcelana, tecido e outros. Há bonecas(os), marionetes, piões, ioiôs, bilboquês, petecas e carrinhos – objetos catalogados e, em grande parte, expostos na Biblioteca Universitária. As peças que não estão em exposição ficam guardadas na reserva técnica do Museu Universitário.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Currículo das escolas: tiro ao alvo!


Na teia da indignação crescente esta notícia vale uma profunda reflexão

Mais uma das tarefas, atribuições, competências, trabalhos ou seja lá o que for, a que professores serão aubmetidos pelos nobres políticos indiretamente eleitos pelo povo, primeiramente no Rio de Janeiro e, depois pelo Brasil afora, certamente. Prova do quanto também somos coniventes e cúmplices da bandidagem de ambos os lados - políticos corruptos e traficantes - ao longo dos anos. Confiram os quase 800 comentários de internautas se manifestando sobre essa nobre iniciativa da Secretaria Municipal de Educação do Rio. Não foi a primeira vez que isso aconteceu nessa região e, decerto não será a última. Sugestão de conteúdo para o Currículo das escolas doravante: tiro ao alvo!

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Escolas municipais do Rio terão programa de proteção contra tiroteios

DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio
Atualizado às 20h57

A Secretaria Municipal de Educação do Rio afirmou no final da tarde desta quarta-feira que está estudando uma forma de implantar um plano de emergência para treinar professores e funcionários das 1.064 escolas da cidade contra situações de alta tensão, como tiroteios entre criminosos e policiais. O órgão, porém, não informou um prazo para a execução do projeto. De acordo com a secretaria, o objetivo do plano é levar mais segurança às escolas do município. Além de tiroteios, acidentes graves, incêndios e até mesmo balas perdidas estão incluídos na lista de situações de emergência do projeto. "A ideia é preparar esses funcionários para terem uma atuação apaziguadora, deixando as crianças mais calmas e seguras em possíveis situações de pânico", afirmou a secretaria, em nota. Ainda segundo a secretaria, atualmente há pelo menos 200 escolas municipais localizadas em áreas de risco, em regiões de comunidades. As localizações dessas unidades não foram divulgadas.

Violência frequente

Na terça-feira (3), cerca de 13 ,il alunos
de escolas e creches públicas foram prejudicados nesta terça-feira por causa de uma série de confrontos entre criminosos de facções rivais e policiais militares na Vila Kennedy, zona oeste do Rio.

No último dia 20, dois homens armados invadiram o pátio da escola Professora Maria de Cerqueira e Silva, em Manguinhos, zona norte do Rio, durante uma tentativa de fuga, por volta das 11h30. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, os homens passaram pelo local, mas não permaneceram na escola nem invadiram nenhuma das dependências internas da unidade.

No último dia 17, confrontos entre traficantes de favelas na zona norte do Rio resultaram na queda de um helicóptero da Polícia Militar e deram início a uma onda de violência que deixou pelo menos 42 pessoas mortas.

No centro do confronto estava a disputa pelos pontos de venda de drogas entre traficantes do morro São João --controlado pelo Comando Vermelho-- e aliados invadiram o morro dos Macacos, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos).





Nota do "postador": Sua Excelência o Governador Sérgio Cabral (PMDB) é Jornalista de formação, filho do co-fundador do famoso "O Pasquim" (semanário/hebdomadário entre 1969 e 1991, de oposição ao regime militar) . Ex Senador da República, foi eleito em 2006 para o cargo de Governador com o apoio dos Excelentíssimos Garotinho e Rosinha. Segundo a língua do povo, passa grande parte de seu tempo viajando e fora da cidade. O videomaker se refere à uma de suas férias na França. Governador fino é outra coisa...

Foto: http://forum.brasilescola.com

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sobre nós, os sérios...




Do Nietzsche trágico ao Foucault ético:
sobre a estética da existência
e uma ética para docência*

Júlia Siqueira da Rocha**

Lendo o texto citado acima de Luciana Grupelli Loponte, a primeira boa surpresa é a forma lúcida como a autora casa estes dois pensadores, seu ponto de intersecção está nos estudos que ambos fazem das possibilidades do humano em reinventar-se.

Para tanto os autores são categóricos, é necessário rever o lugar do humano sério, da ciência na soberania da razão, pois a vida é perspectivismo e erro.O humano é a encarnação da dissonância. O mundo que é justificado esteticamente é desarmônico, portanto não sejamos tão sérios, exijamos a estética: trágica, dissonante embriagada pela música dionisíaca.

Homens sérios e sóbrios, Nietzsche os convoca a uma serena e artística distância de si mesmos. Necessitamos de toda arte, flutuante, dançante, zombeteira, infantil e venturosa, para não perdermos a liberdade de pairar acima das coisas, que o nosso ideal exige de nós.

Não podemos aprender com os artistas esta arte de se por em cena por si mesmo? Não podemos ser poetas de nossa vida? Buscar a ASKÈSIS de Foucault e inventar uma maneira de ser ainda provável, não uma askési individual, narcísica ou superficial, mas uma askési que entenda o cuidado de si sempre na conexão com o cuidado do outro.

Em todo estudo de Foucault sobre poder emerge a resistência e a liberdade como possibilidade, assim pensar a função docente na perspectiva estética é pensar na docência artística, cujo fim felizmente não se atinge, uma docência baseada na invenção de si mesmo e não na autodescoberta; alimentada pela relação com os outros e vivida como prática de liberdade. Incorporar o pensamento-artista apolíneo e dionisíaco para sair das crenças iluministas de verdade e reinventar a educação e a docência.

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* Luciana Grupelli Loponte é professora adjunta da faculdade de educação da Universidade Federal do Rio Grande do SUl. É Mestre em Educação (UNICAMP, 1998) e Doutora em Educação (UFRGS, 2005). Realiza pesquisas na área de formação docente, ensino de arte e gênero. privilegia em suas pesquisas autores como Michel Foucault, Friedrich Nietzsche e aportes teóricos dos estudos Feministas, tendo artigos publicados sobre estas temáticas.

Livro citado: LOPONTE, Luciana Gruppelli. Do Nietzsche trágico ao Foucault ético: sobre estética da existência e uma ética para docência. Educação & Realidade, Porto Alegre: Faculdade de Educação UFRGS, v. 28, n. 2, p. 69-82, jul./dez. 2003.

Resumo em:
http://www.ufrgs.br/edu_realidade/imagens/sum%C3%A1rio,%20resumos,%20e%20abstracts-28_2.pmd.pdf


Leia também de Luciana G. Loponte:  Arte e metáforas contemporâneas para pensar infância e educação. Disponível em:

Foto: Pablo Picasso
** Júlia Siqueira da Rocha é Pedagoga, mestranda do PPGE/UFSC. reflexões apresentadas em seminário da disciplina Teorias da Educação (Profa. Lúcia S. Hardt).



Enviado por Júlia Siqueira

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Zaratustra



Um encontro inesperado e insólito:
dos abismos da existência às ressonâncias
do espírito livre

Lúcia Schneider Hard*

É preciso arranhar e saber o que fazer quando somos arranhados.
A vida aérea do poeta não é uma fuga para longe da terra, mas uma ofensiva contra o céu já definido, horizontalmente concebido.
A vida aérea tem um tempero do esquecimento, uma vontade de desembaraçamento do passado e da tradição para poder pensar e imaginar o que ainda não está posto, para fazer girar os valores e reconfigurar as práticas.

Imaginemos a República de Platão inaugurada. Pronta para se viver e aberta para todos os cidadãos. Seria a hora de pôr à prova sua concepção de cidade e de convivência. Aberta recebe todo e qualquer ser humano, mas eis que chega alguém inesperado. Um sujeito não concebido pela República inventada mas que, independente disso, imagina-se que possa ser resgatado e devolvido para a cidade para então habitá-la plenamente.

Ocorre que a entrada desse sujeito não será tão tranqüila e uma longa e turbulenta interação começa a ser desencadeada. Esse texto ainda que construído numa dimensão ficcional imagina dividir com o leitor embates possíveis, cotidianos, portanto reais que nos atravessam, tocam-nos e derrubam-nos em vários contextos familiares, institucionais, profissionais, políticos.

Zaratustra, o sujeito inesperado, desce a montanha, onde estava isolado por opção e resolve voltar ao convívio coletivo. Cruza com a República de Platão e decide entrar e instalar-se. De imediato estranha as conversas que escuta na cidade. Em quase todo lugar, desde as falas mais corriqueiras até aquelas mais oficiais e protocolares, inexiste praticamente a conjugação do verbo no presente, pois os diálogos insistem com o futuro e o passado. Os habitantes do lugar falam do que não fizeram ainda na cidade e do que deverá ser feito. Dificilmente ouve-se um relato do vivido. Nesse insistente passado e futuro aparece um conteúdo sempre recorrente: o sensível e o inteligível. O novo habitante não entende muito bem do que se trata, mas parece que essas duas coisas não pertencem a um mesmo corpo, o que à primeira vista parece impossível. Mas todos estão convencidos de que um desses lugares é preferencial e de que é preciso caminhar nessa direção.

Texto completo disponível em:
http://www.anped.org.br/reunioes/32ra/arquivos/trabalhos/GT17-5391--Res.pdf

* Lúcia Schneider Hard é professora da Universidade Federal de  Santa Catarina. Atua na Pedagogia com a disciplina- Fundamentos Filosóficos da Educação II. Na Pós-graduação ministra a disciplina – Teorias da Educação. Tem experiência na área de formação de professores e na educação à distância. Leia outro artigo da professora, "Bachelard e suas possibilidades de reflexão" em:

Foto: Zaratustra, segundo a Wikipedia. Detalhe de "A Escola de Atenas" (1509/10, 500x700 cm.) de Rafael Sanzio (1483/1520). Fonte:

Leia mais sobre esta obra em:

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O super-homem solidário: um encontro amoroso com Nietzsche



"Trabalhar o pensamento de Nietzsche é como mergulhar no abismo, vertiginosamente e com os olhos bem abertos. Mais difícil ainda é viver um encontro amoroso com esse arquiburguês...

(...) Pretendemos fazer o resgate do caráter amoroso de Nietzsche, a partir do texto As três metamorfoses da primeira parte do Assim falava Zaratustra, iluminando, a partir da idéia da caminhada do homem para o além dele, as possibilidades de um trans-humanismo que resgate os valores nobres e a alegria absoluta de estar vivo no mundo, re-fundando assim as bases para uma existência solidária.

(...) A intenção é mostrar que o pensamento de Nietzsche, se visto como o grito de um ser que quer re-inventar a vida, pode encantar o nosso tempo, enfunando as velas de nossas esperanças rumo a um esperado talvez. E, nessa caminhada, pretendemos discutir o caráter transcendente do pensamento nietzschiano que não difere em nada de outros sonhadores, embora enraizado firmemente no chão. Nietzsche fez como a pandorga. Deixou que seus desejos voassem loucamente pelo céu, mas atado à imanência, à terra. Homem-pandorga, único, trans-humano, como devem ser todos os que apostam tudo na taça inebriante da vida, que a despeito de ser terra, leva ao além (inebria). Imanência e transcendência, juntas, neste ser alado que é o humano".
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Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos,inaugurando o esperado pachakuti. Contato: eteia@gmx.net / Tel: (48) 99078877. http://www.eteia.blogspot.com/

Foto: youngnietzsche_marjolijnvandenassem_nl

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Antoni Muntadas: OT The Internet project (1997)



"On Translation é um complexo projeto em curso que, desde 1995, incorpora diversas intervenções que problematizam os códigos mediáticos  do ponto de vista da tradução. Em uma de suas últimas aprsentações completas, a que teve lugar no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona em 2003, o projeto já reunia 24 trabalhos. Além do mais, ao colocar o porblema da tradução na linguagem dos media em primeiro plano, On translation lança uma nova luz sobre as obras anteriores de Muntadas.

Existem dois trabalhos nos quais a tradução mediática aparece como um complexo processo de neutralização, de degradação e, no limite, de perda do sentido. Um deles, On translation: the internet project (1997), se baseia no jogo infantil do telefone   sem fio para que uma frase, originalmente em inglês, seja traduzida sequencialmente por traduçòes a vinte e tr6es idiomas    diferentes para voltar ao idioma de partida e reiniciar outra vez o circuito. A frase inicial é

'communication systems provide the possibility of developing better understanding between people: in wich language?"

(...) No segundo ciclo, a frase em (...) Português:

'os métodos deterinados de pesquisa, segundo seus sistemas de transmissão de intençòes, podem melhorar as bases da atividade internacional. Segundo meu ponto de vista, o problema particular  consiste no fato de que ele não culmina com o estabelecimento de um sistema rápido de educação.'

A surpreendente   conclusão não é só   que o avanço do processo aumenta as diferenças  com o original, mas que essas diferenças vão no sentido da degradação e da neutralização do enunciado   até se fazer quase ilegível. Além do mais, o projeto de Muntadas problematiza a onipresença do inglês no mundo contemporâneo e o esboço de qualquer diferença idiomática que não possa ser assimilada pelo sistema".

LARROSA, Jorge. Linguagem e Educação depois de Babel. Autêntica Editora.

“Neste livro, a relação entre linguagem e educação é tratada de um modo explícito do ponto de vista da pluralidade, e só aqui a encarnação temporal da transmissão educativa está dobrada desde a doação e desde o talvez, quer dizer, desde a diferença e a descontinuidade. Além do mais, nos meus livros anteriores, havia certas dificuldades para tratar da educação de um ponto de vista político. Como se as palavras que conectam educação e política, as que articulam o projeto político da modernidade como um projeto educativo (ou ao contrário), as grandes palavras de liberdade, igualdade e fraternidade (ou comunidade) fossem, para mim, impronunciáveis, como se não soubesse o que fazer com elas, como se não tivessem a ver comigo. Talvez daí a tentativa de fazê-las soar de outra maneira. Por outro lado, existe nestes textos certa vontade de idioma que, ainda que já estivesse presente nos trabalhos anteriores, aqui é muito mais consciente e, parece-me, mais arriscada.”




Clique e passe o mouse sobre a espiral em The Internet Project:
http://www.adaweb.com/influx/muntadas/project.html

No Youtube, alguns vídeos de Muntadas:
http://www.youtube.com/results?search_query=antoni+muntadas&search_type=&aq=f





Outros trabalhos: http://www.eai.org/eai/artistTitles.htm?id=285

Antoni Muntadas: El Artista



Antoni Muntadas vive e trabalha em Nova Iorque e Barcelona. Estudou na Escuela Técnica Superior de Ingenieros Industriales de Barcelona e no Pratt Graphic Center de Nova Iorque. Começou como pintor, atividade que abandonou para centrar-se no mundo das novas tecnologias. Pioneiro no uso do vídeo, desde metade dos anos setenta vem abordando questões como a publicidade, os círculos do poder, tanto ideológico como econômico, e a crítica cultural. Assim, desde então, sua produção se expandiu para o uso de várias linguagens plásticas, meios e suportes, tendo a intervenção no espaço público uma de suas mais radicais formas de crítica cultural.

Muntadas é artista e professor de comprovado reconhecimento, tendo sido convidado a ministrar cursos, workshops e palestras em várias das mais importantes escolas de arte e museus do mundo. Atualmente é professor no Massachusetts Institute of Technology - School of Architecture em Cambridge, Massachussets, onde ministra a disciplina ‘Seminar on Public Art’ (início 2001); é conferencista regular do Cornell University Seminars no programa ‘Dialogues Art and Architecture’ (início 2006) e professor da IUAV Veneza, Itália, responsável pela disciplina ‘Projectos Laboratorio 3’ (início 2004).

Como publicado no jornal El País de Madrid, Espanha (17/11/05), “sua obra tem sido exposta em todo o mundo, em eventos como a Bienal de Veneza (1976); a Documenta de Kassel (VI e X Edições); a Bienal de São Paulo e Bienais de Havana e Lyon. Expôs, entre outros, no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, no Museu de Arte de Berkeley, na Califórnia, no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia de Madrid, e no MACBA de Barcelona. É considerado o pai da net.art espanhola e se define como ‘um tradutor de imagens do que passa no mundo contemporâneo’.

Recebeu inúmeras bolsas e prêmios, sendo o último o Prêmio Nacional de Artes Plásticas 2005, concedido pelo Ministério da Cultura da Espanha por sua trajetória artística e por ser um dos mais inovadores artistas do panorama espanhol. Além disso, Antoni Muntadas tem uma longa trajetória de diálogo com a América do Sul, em especial o Brasil, país que abriga seu trabalho desde o final dos anos sessenta e onde, por várias vezes, realizou exposições e ministrou cursos em museus, bienais, instituições, inclusive como convidado pelo Departamento de Artes Plásticas/ECA-USP nos anos de 1996 e 1987 e 1992. Entre as conferências ministradas em outras instituições no Brasil destacam-se as da Universidade de Brasília em 2002 e 2003, do Museu de Arte Contemporânea de Niterói em 2001 e do evento de arte pública ‘Artecidadezonaleste’, em1999. É artista representado pela Galeria Luiza Strina onde, desde os anos setenta, expõe regularmente e participou da Bienal de Veneza de 2005 ocupando todo o pavilhão espanhol!


Foto: http://www.encuentromedellin2007.com/portal/files/image/Antoni%20Muntadas.jpg
 
Visualização de Trabalhos: http://www.eai.org/eai/title.htm?id=657
 
Palestra de Antoni Muntadas com comentários de Nelson Brissac (Em português). Espaço da Memória - Centro Cultural São paulo - 15/10/2005:
http://www.forumpermanente.org/.painel/palestras/integra_muntadas/view

sábado, 3 de outubro de 2009

Organizador de Carne



Profanando as múltiplas vidas

Organizador de Carne funciona como poderosa metáfora sobre o nosso comportamento cotidiano

Helena Katz

Em uma conferência publicada aqui em 2005, o filósofo italiano Giorgio Agamben ampliou a noção de ''dispositivo'' do pensador francês Michel Foucault. Propôs que qualquer coisa com capacidade de orientar, controlar, determinar, assegurar os gestos, as condutas e os discursos dos seres viventes poderia ser entendida como um dispositivo. Ou seja, dispositivos seriam as escolas, as fábricas, a Justiça, a medicina - como dizia Foucault -, mas também os computadores, os celulares, o iPod e, até mesmo, a própria filosofia. É com esse conceito ampliado de ''dispositivo'' que se pode pensar o Organizador de Carne, que Sheila Ribeiro/Dona Orpheline estreou, em São Paulo, no Rumos Dança, e depois apresentou em curta temporada no Itaú Cultural e no Sesc Pompéia.

Sheila Ribeiro nasceu em São Paulo e radicou-se em Montreal, no Canadá, em 1996. Lá, criou a companhia Dona Orpheline, e é professora do Departamento de Cinesiologia da Universidade de Montreal. No Organizador de Carne, sua mais recente produção, conta com a parceria de Josh S., músico-performer que nasceu em Teresina e trabalha no eixo Brasil/Amsterdã.

A obra surgiu de um episódio acontecido no Deic, em São Paulo. Uma policial, ao vê-la passar por baixo do organizador de fila (era madrugada, não havia ninguém), abordou-a, aos gritos: ''Você é gente ou animal?''

O organizador de fila, daqueles que obedecemos em bancos, em aeroportos, em instituições das mais variadas naturezas, é trabalhado nessa obra na sua função de dispositivo, e funciona como uma metáfora poderosa e competente de todo o nosso comportamento. Porque a ambigüidade entre ordem e disciplina, de um lado, e, do outro, o sentido de pertencer a uma sociedade que funciona sem atrito, não está somente no organizador de fila. Está em todos os outros dispositivos com os quais convivemos e deixamos de reconhecer neles a violência simbólica que promovem. O hábito torna invisível uma série de dispositivos, despotencializando a possibilidade de se identificar o que resulta de sua relação conosco. E isso vale também para o mundo digital, como nos informa a obra, que inclui a Second Life, o MSN e o Orkut.

Em todos esses ambientes, nos quais, ao menos teoricamente, operariam novas formas de convívio, fica evidenciada uma duplicação do comportamento de sempre: também já estamos bem treinados pelos dispositivos que operam no mundo digital, e lá cumprem o mesmo papel que o organizador de filas tem fora dele. Fica claro que a nossa percepção está condicionada pela publicidade, pela mídia, pelo consumo, dentre outros dispositivos. Daí a importância do jogo proposto pelo Organizador de Carne, que é o de perguntar se nós ainda somos capazes de perceber o que nos organiza. Se ainda identificamos as vidas duplas, triplas, quádruplas, múltiplas que fazem parte do nosso estar no mundo.

Se o sujeito é o que resulta da relação entre os seres vivos e os dispositivos, como diz Agamben, a necessidade de identificar os dispositivos transforma-se um uma ação política, e dela o Organizador de Carnes se desincumbe muito bem. Nos faz ver, com as situações variadas que apresenta, que o poder não se preocupa em esconder seus atos de exceção porque nos faz acreditar que eles são a norma. De repente, Sheila começa a falar em francês, e nos leva a reconhecer a língua estrangeira como um marcador social. Quando se atenta para o seu figurino, explicitamente voltado para o desejo e a libido, o camuflado do seu shorts se revela uma dica: o que fica camuflado no nosso processo de percepção, e não identificamos porque já está domesticado por tantos dispositivos invisíveis?

Josh S. criou a excelente música, além de ser ótimo DJ e performer, tocar guitarra, e usar o beatbox. A sua desimpostação se alinha com a de Sheila e esse modo de ambos atuarem instaura uma situação tal que coloca quem assiste no papel de um voyeur/hacker a acompanhar as ações dos intérpretes. É uma operação de deslocamento sutil, mas poderosa, de enorme alcance crítico.As cenas são curtas, com um quê da estética das tirinhas de quadrinhos, pautadas pela mesma relação de paródia e síntese dessa linguagem. Em uma delas, em um estado de corpo-cadáver, o de Sheila se posta no chão, atravessando e sendo atravessado pelo organizador de fila, como que nos perguntando: que autonomia tem a arte em um mundo assim?

Só mesmo um corpo-a-corpo com os dispositivos, profanando o que eles instituem na nossa vida, permitirá um resgate do que foi capturado e separado de nós. Não à toa, esse Organizador de Carne instiga a dessacralização.

Enviado por Gilmar

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071006/not_imp60982,0.php

Foto: http://api.ning.com/files/GbzPzc18q9-zzujAf*QCAyrXd3MCm1MEs0paMcpfOTnayjV2ZlSP7TDHKSRSEp*6rVJ8OWkUg6eNPkUVninNfwJODgYjmCi*/odckatz.jpg